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 Poetry & Books
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NOSSA LÍNGUA MESTIÇA

Texto: Rafael Capanema
Arte: Paula Chiuratto

A cultura brasileira é craque em incorporar e reprocessar influências. Com a língua não poderia ser diferente. Incontáveis sotaques, palavras, gírias e expressões provenientes dos quatro cantos, temperam nossa salada lingüística. No mês em que se comemora o Dia Internacional do Idioma Mãe (21/2), trazemos recortes da história desse idioma tão nosso, que, como cantou Noel Rosa, é brasileiro, já passou de português.

Olavo Bilac a chamou de “inculta e bela” no célebre soneto Língua Portuguesa. Que é bela, sabemos. Mas inculta? Séculos antes de Cristo, na região do Lácio, atual território italiano, viviam os latinos, povo simples formado em sua maioria por agricultores. Tornaram-se uma das civilizações mais avançadas que o mundo já viu: o Império Romano. Havia lá dois latins: o culto, da política e dos textos; e o vulgar, falado pela população, em sua maioria analfabeta. Foi essa segunda variante que ganhou o Velho Mundo, levada por soldados e comerciantes. A partir dela, surgiram línguas como o espanhol, o francês e o italiano. O português é a mais recente delas; a “última flor do Lácio”, nas palavras de Bilac.
O Império Romano, que dominou quase toda a Europa, chegou ao fim no século 5. Nesse período, a Península Ibérica sofreu invasões germânicas e, a partir do século 8, árabes. Esses últimos permaneceram lá por cerca de 500 anos. O reino portucalense, no território atual de Portugal, expulsou os árabes definitivamente no século 13. Ali, falava-se o galego-português, àquele ponto já marcado por palavras das culturas germânica (coifa, ganso, rico) e árabe (azeite, alfaiate, algarismo). No século 15, Portugal entrou na era das grandes navegações, e o galego-português deu lugar ao português medieval. No apogeu da história lusitana, palavras portuguesas se espalharam pelo mundo, e a língua sofreu ainda mais influências dos idiomas das regiões conquistadas.
A língua portuguesa aportou por aqui em 1500, com a esquadra de Cabral.
Desde então, nunca mais foi a mesma, cada vez mais brasileira.

QUEM DIRIA?
NO COMEÇO, PORTUGUESES ADOTARAM A LÍNGUA DOS ÍNDIOS

Os portugueses encontraram aqui cerca de 1.200 povos indígenas, que falavam nada menos do que mil línguas diferentes. Na costa baiana, travaram contato com os tupis. Fugaz, essa comunicação inicial visava somente facilitar o escambo. A partir de 1530, começaram a chegar expedições de colonização. São Vicente, no litoral paulista, foi a primeira vila, fundada em 1532. Em minoria, os portugueses acabaram adotando o idioma indígena. Com influência lusitana, surgiu uma língua franca, baseada no tupi, conhecida como língua geral paulista. Durou cerca de dois séculos, tendo sido usado na catequização dos índios pelos padres jesuítas e pelos bandeirantes em suas expedições.
Em condições semelhantes, surgiu na Amazônia, no século 17, outro idioma franco: a língua geral amazônica, ou nheengatu (língua boa), com base no tupinambá.

PALAVRAS DA LÍNGUA GERAL PAULISTA

ANHEMBI
rio das anhumas
UBERABA
rio brilhante
VOTUVERAVA
morro brilhante
TUCURUVI
gafanhotos verdes

PALAVRAS DA LÍNGUA GERAL AMAZÔNICA
tapioca
açaí
tatu
jacaré
pororoca
cuia
tipóia
peteca
araponga

MOLEQUE, ANGU, OXALÁ
AFRICANOS DE TODA PARTE ENRIQUECERAM NOSSA LÍNGUA

No século 16, o comércio de açúcar era dos mais lucrativos. Os portugueses passaram a cultivar cana em nossas terras. Como os índios resistiam à escravidão, os colonizadores trouxeram negros da África. A maioria dos que chegaram nesse primeiro período falava línguas bantas, principalmente o quicongo, o quimbundo e o umbundo. Nos séculos 17 e 18, com a descoberta de jazidas de ouro e diamantes, vieram para cá escravos minas-jejes, falantes de línguas ewé-fon. Na última leva de escravos, no século 19, chegaram povos de origem iorubá, também conhecidos como nagôs, para trabalhos domésticos e urbanos na cidade de Salvador e arredores. O resultado: sons de todos os cantos da África encravados na nossa língua.

PALAVRAS BANTAS
bagunça • cachimbo • moleque

PALAVRAS IORUBÁ
Afoxé • Iemanjá • Ogum

PALAVRAS EWÉ-FON
angu • bobó • vodum

NADA DE LÍNGUAS GERAIS
PORTUGUÊS TEVE QUE SER IMPOSTO NA MARRA

Com a descoberta de metais preciosos no Brasil, Portugal resolveu, digamos, reforçar os laços com a Colônia. Em 1758, Marquês de Pombal instituiu o português como idioma oficial daqui e proibiu o uso das línguas gerais. Mas idiomas naturais não são extintos a canetadas. O nheengatu, por exemplo, tem ainda hoje mais de 8 mil falantes. As disputas com a Espanha pelo território no sul do Brasil no século 18 também foram importantes para difundir a língua portuguesa na Colônia. A ameaça espanhola trouxe uma grande leva de colonos lusitanos, que se estabeleceram em locais como a Ilha de Santa Catarina, em 1748, e em Porto Alegre, fundada em 1772.

DIFERENÇAS ENTRE O PORTUGUÊS BRASILEIRO E EUROPEU

Não são só o sotaque e a grafia de algumas palavras que separam o português brasileiro do europeu. No dia-a-dia, nós e os lusitanos usamos palavras diferentes para expressar os mesmos significados. Alguns exemplos curiosos:
PORTUGUÊS BRASILEIRO

carro conversível
concreto
gol
grampeador
maiô
mamadeira
ônibus
salva-vidas
telefone celular

PORTUGUÊS EUROPEU

carro descapotável
betão
golo
agrafador
fato de banho
biberão
autocarro
nadador-salvador
telemóvel

COM A CHEGADA DA FAMÍLIA REAL, FALAR COM SOTAQUE PORTUGUÊS VIROU CHIQUE

Repare: o sotaque carioca muito tem a ver com o lusitano. Basta notar o “s” chiado e as vogais abertas em palavras como “também”, características comuns em ambos. Não é por acaso. Junto com a Família Real, chegou em 1808 uma corte numerosa à Cidade Maravilhosa. O português que se falava no Rio tinha características paulistas, por conta da passagem dos bandeirantes pela região. Mas, com o prestígio da realeza, virou chique falar à moda portuguesa, e houve um fenômeno que especialistas chamam de “relusitanização” da língua.

CASTANHOLA, CAMICASE, LASANHA
IMIGRANTES TEMPERARAM NOSSO CALDEIRÃO

O fim da escravidão e a chegada de imigrantes marcaram a segunda metade do século 19. Entre os intelectuais, era forte a influência exercida pela cultura da França. Muitas palavras francesas foram incorporadas ao nosso vocabulário nessa época, como matinê, abajur e batom. Os imigrantes que aqui se estabeleceram a partir da década de 1870 trouxeram em sua bagagem cultural diferentes sotaques, palavras e expressões. Alemães, italianos, espanhóis, japoneses e árabes se espalharam pelos quatro cantos do Brasil. E dá-lhe palavras e expressões novas: camicase, castanhola, lasanha... Inicialmente restritas às regiões onde os imigrantes se fixaram, muitas dessas contribuições acabaram por ganhar o País.
Inspirado pela colônia italiana, o escritor paulista Alexandre Marcondes Machado criou no início do século 20 o personagem Juó Bananére (João Bananeira), que se expressava no dialeto macarrônico, hilária mistura de italiano e português. A revista de humor O Pirralho publicou alguns de seus textos e paródias, reunidos no livro La Divina Increnca, de 1915. Bananére não perdoou nem clássicos de Gonçalves Dias e Olavo Bilac.

DIALETO BANANÉRE

UVI STRELLA
Che scuitá strella, né meia strella!
Você stá maluco! e io ti diró intanto,
Chi p’ra iscuitalas montas veiz livanto,
i vô dá una spiada na gianella

MIGNA TERRA
Migna terra tê parm eras,
Che ganta inzim a o sabiá.
As aves che stó aqui,
Tembê tuttos sabi gorgeá

O texto completo de La Divina Increnca está na internet, em http://bananere.art.br/increnca.html

SERÁ MIÓ OU PIÓ?

O Modernismo chegou em 1922 com bandeiras como a reafirmação da nossa identidade e a antropofagia das culturas estrangeiras. Oswald de Andrade, um dos líderes do movimento, debruçou-se sobre o tema em alguns de seus poemas, como Vício na fala e Pronominais.

OSWALDIANAS

VÍCIO NA FALA
Para dizerem milho dizem mio
Para melhor dizem mió
Para pior pió
Para telha dizem teia
Para telhado dizem teiado
E vão fazendo telhados

PRONOMINAIS
Dê-me um cigarro
Diz a gramática
Do professor e do aluno
E do mulato sabido
Mas o bom negro
e o bom branco
Da Nação Brasileira
Dizem todos os dias
Deixa disso camarada
Me dá um cigarro

SÉCULO 20
SONS DOS SERTÃO, DOS STATES E DA TELEVISÃO

A partir dos anos 1930, o País passou a navegar nas ondas do rádio, meio de comunicação de imensa penetração popular. Milhares de brasileiros deixaram o campo e o sertão em direção às grandes cidades, principalmente Rio e São Paulo, onde crescia a indústria e a construção civil. A cultura do interior nordestino marcou profundamente os grandes centros urbanos, transformando em universais expressões regionais como “vixe”, “lascado” e “cabra”.
Durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), o Brasil de Getúlio alinhou-se aos Estados Unidos. Propagandeando o estilo de vida norte-americano, palavras inglesas bombardearam o País e são até hoje onipresentes.
Quando a televisão surgiu, na década de 1950, muitos imaginavam que ela daria cabo às peculiaridades regionais do idioma, uniformizando o português do Oiapoque ao Chuí. Não foi o que aconteceu: os brasileiros parecem capazes de absorver novas influências, cada um à sua maneira.

TRIBOS MODERNAS
NO NOVO MILÊNIO, GÍRIAS URBANAS E INTERNETÊS

SAIBA MAIS

PARA VISITAR
Museu da Língua Portuguesa:
Estação da Luz - Praça da Luz, s/nº. São Paulo-SP. Na internet: www.estacaodaluz.org.br

PARA NAVEGAR
A história do português brasileiro: www.comciencia.br/reportagens/linguagem/ling03.htm

PARA LER
O Português no Brasil, de Antônio Houaiss (Revan, 1992)

 
Samba do Rio de Janeiro é Patrimônio Cultural do Brasil
10/10/2007

"O samba é um bonito modo de viver. (Nelson Sargento, sambista da velha-guarda)

O mais recente Patrimônio Cultural do Brasil tá no pé do sambista, na mão do pandeirista, no som do cavaco, em cima dos morros, na Marquês de Sapucaí. O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) registrou oficialmente as matrizes do samba do Rio de Janeiro – samba de terreiro, partido-alto e samba-enredo – no Livro de Registro das Formas de Expressão, nesta terça-feira, 9/10.

O pedido de registro foi feito pelo Centro Cultural Cartola, com apoio da Associação das Escolas de Samba do Rio de Janeiro e da Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa). Nilcemar Nogueira, presidente do Centro e neta do compositor Angenor de Oliveira, o Cartola, fez o pedido, pois temia o enfraquecimento das matrizes do samba do Rio. "Meu avô foi um dos pioneiros da popularização dessa forma de samba, no final da década de 20. Quero proteger seu legado cultural", alega.

A pesquisa que levou ao registro, feita pelo Centro Cultural Cartola com orientação do Iphan, reúne um conjunto de referências históricas: monografias, teses, livros, vídeos, reportagens, discografia da época e o testemunho de sambistas da velha guarda, como Monarco, Xangô da Mangueira, Nelson Sargento. Desde as reuniões em casa de Tia Ciata, no início do século 20, a pesquisa identifica o samba nos blocos, nos morros, nas ruas e quintais. O estudo mapeou as seis escolas de samba mais antigas do Rio: Mangueira, Portela, Salgueiro, Vila Isabel, Império Serrano, Estácio de Sá.

A partir do material pesquisado, o Iphan produziu um vídeo-documentário, que estará disponível em breve, veja também, em anexo no fim desta matéria, o dossiê que foi produzido.

Matrizes do samba

O samba de terreiro faz referência aos espaços de encontro e celebração dos sambistas, que ali dançam um samba livre com as marcas de sua ancestralidade. Nos terreiros, pátios das escolas de samba, cantam as experiências da vida, o amor, as lutas, as festas, a natureza e a exaltação das escolas e da própria música.

Já o partido-alto é marcado pelos versos de improviso. Nasceu das rodas de batucada, onde o grupo marca o compasso, batendo com a palma da mão e repetindo o refrão e inventando estrofes segundo um tema proposto. É o refrão que serve de estímulo para que um participante vá ao centro da roda sambar e com um gesto ou ginga de corpo convide outro componente da roda.

Com a criação das primeiras escolas de samba, no final da década de 1920, o samba se adaptou às necessidades do desfile. Criou-se uma nova estética e uma nova modalidade: o samba-enredo. O compositor elabora seus versos com base no tema (enredo) a ser apresentado pela escola, descrevendo uma história, de maneira melódica e poética. De sua animação e cadência depende todo o conjunto da agremiação, tanto em termos de evolução como de envolvimento harmônico.

Salvaguarda

A preservação da tradição do samba no Rio de Janeiro foi pensada de forma a retomar a prática espontânea, de improviso, sem limitar a transmissão do saber às aulas das escolas de samba. Com a espetacularização do samba-enredo, diminuíram-se os espaços para se praticar as formas mais tradicionais do samba – partido-alto e o samba de terreiro. Houve redução da quantidade de solistas de instrumentos como o pandeiro e a cuíca, e diminuição no número de partideiros, os improvisadores.

Por isso, o Iphan recomenda a criação de um plano de salvaguarda que incentive, apóie e promova ações de valorização das formas originais do samba no Rio de Janeiro. Esse plano requer a articulação das comunidades de sambistas, inclusive da velha-guarda, principais detentores da tradição e dos saberes.

Entre as ações preliminares, sugeridas a partir da demanda dos próprios sambistas, está o incentivo à pesquisa histórica e à produção de biografias. Ao mesmo tempo, promover a encontros de mestres partideiros e versadores, nas próprias comunidades originais dos sambistas, com a presença dos mais jovens. O registro em áudio e vídeo desses encontros ajudaria a difundi-los e revitalizá-los.

O samba do Rio de Janeiro contribui para a integração social das camadas mais pobres. Tornou-se um meio de expressão de anseios pessoais e sociais, um elemento fundamental da identidade nacional e uma ferramenta de coesão, ajudando a derrubar barreiras e eliminar preconceitos. Incentivar a prática do samba é também uma maneira de minimizar as diferenças sociais.

A identificação e o reconhecimento das formas de samba brasileiras é uma das diretrizes do Iphan, que se insere na proposta da atual gestão do Ministério da Cultura, de construção de um mapa cultural do Brasil. Entre os 11 bens reconhecidos como patrimônios imateriais brasileiros, se destacam algumas das várias formas de samba dançadas no território nacional. Já receberam o título: o samba de roda no Recôncavo Baiano, o tambor de crioula no Maranhão e o jongo no Sudeste.

texto completo
Dossiê do Samba Carioca

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Incrível variedade de títulos consagrados...
Aldous Huxley
A Situação Humana
Admirável Mundo Novo
As Portas da Percepção
Moksha
O Macaco e a Essência
Regresso ao Admirável Mundo Novo

Alfredo Bernacchi
Ateu Graças a Deus
Jesus Cristo não existiu

Álvares de Azevedo
Poemas Malditos

Anthony Burgess
Laranja Mecânica

Antonin Artaud
Escritos de um Louco

Aristóteles
A Política
Arte Poética
Tópicos

Arthur C. Clarke
2001 Odisséia no Espaço
A Sonda do Tempo
As Fontes do Paraíso
Encontro com Rama
O Fim da Infância
O Outro lado do Céu
O Vento Solar

Augusto dos Anjos
Eu e Outros Poemas

Bacon
Novum Organum

bukowski
Mulheres

Bram Stoker
Drácula

Camus
A Peste
O Estrangeiro
O Mito de Sísifo

Capra
A Teia da Vida

Cervantes
Don Quixote

Chico Buarque
Budapeste

Cícero
Da República
Diálogo sobre a Amizade

Comte
Discurso Preliminar sobre o Espírito Positivo

Daniel Goleman
Inteligência Emocional

Dante Alighieri
A Divina Comédia

Darwin
A Origem as Espécies

Dawkins
O Rio que Saía do Éden

Descartes
Discurso do Método

Dostoievski
Contos
Crime e Castigo
Noites Brancas

Durkheim
As Regras do Método Sociológico

Edgar Allan Poe
Ficção Completa

Eduardo Haagen
Impressões do Século XX

Einstein
Por que a Guerra? (Carta de Einstein a Freud)
Sobre a Liberdade

Engels
Anti-Düring
Do Socialismo Utópico ao Científico
Sobre o Papel do Trabalho

Epicuro
Trechos Selecionados

Erasmo de Rotterdam

Elogio da Loucura

Eric Hobsbawm
Era dos Extremos

Fernando Pessoa
Livro do Desassossego
Mensagem
O Guardador de Rebanhos
O Marinheiro
Obras Poéticas

Freud
A Interpretação dos Sonhos I
A Interpretação dos Sonhos II
Moisés e o Monoteísmo
O Futuro de uma Ilusão
O Mal-estar na Civilização
Psicologia das Massas e a Análise do eu
Sobre a psicopatologia da vida cotidiana
Totem e Tabu

George Orwell
1984
A Revolução dos Bichos
O Triunfo dos Porcos

Goethe
Fausto
Os Sofrimentos do Jovem Werther

Gustave Le Bon
As Opiniões e as Crenças

Hannah Arendt
Da Violência

Hawking
Breve História do Tempo

Hegel
Prefácio da Fenomenologia do Espírito

Heidegger
Que é Isto – A Filosofia?
Que é Metafísica?

Hemingway
Na Outra Margem entre as Árvores
O Jardim do Éden
O Velho e o Mar
Verdade ao Amanhecer

Herman Hesse
Demian
O Lobo da Estepe

Hitler
Minha Luta

Huascar Terra do Valle
As Trincheiras do Iluminismo

Hume
Ensaio sobre o Entendimento Humano

Isaac Asimov
As Correntes do Espaço
Era Galáctica
Escolha a Catástrofe
Eu, Robô
Fundação
Nós, os Marcianos
O Cair da Noite
O Despertar dos Deuses
O Grande Sol de Mercúrio
O Homem Bicentenário
Poeira de Estrelas
Viagem Fantástica
Viagem Fantástica II

Jean Baudrillard
À Sombra das Maiorias Silenciosas

Jean Lang
Mitos Universais

Joseph Campbell
O Poder do Mito

Jostein Gaarder
O Dia do Curinga
O Enigma e o Espelho
O Mundo de Sofia


Kafka

A Metamorfose
Contos
Desmascaramento de um embusteiro
Um Artista da Fome
Um Fratricídio
Um Médico de Aldeia
Uma Velha Página

Kant
Crítica da Razão Prática
Crítica da Razão Pura
La Sagesse
Jesus Cristo nunca Existiu

Lafargue
Direito à Preguiça

Manoelita dos Santos
A Lógica da Emoção

Maquiavel
O Príncipe

Marcelo Gleiser
A Dança do Universo

Marilena Chauí
Convite à Filosofia
O que é Ideologia?

Mario Justino
Nos Bastidores do Reino (UIRD)

Marquês de Sade
A Crueldade Fraternal
A Filosofia na Alcova
Contos Libertinos
Estratagema do Amor

Marx
A Ideologia Alemã
Crítica ao Programa de Gotha
Manifesto do Partido Comunista
O 18 Brumário de Luís Bonaparte
Para uma Crítica da Economia Política
Teses sobre Feuerbach

Mateus Davi
Entre a Fé e o Niilismo

Mencken
O Livro dos Insultos

Michael Focault
A Origem do Discurso

Mikhail Bakunin
Deus e o Estado

Nelson Jahr Garcia
Propaganda: Ideologia e Manipulação

Neruda
Coletânea

Nicolas Walter
Do Anarquismo

Nietzsche
A Filosofia Trágica na Época dos Gregos
Além do Bem e do Mal
Assim Falou Zaratustra
Cinco prefácios para cinco livros não escritos
Crepúsculo dos Ídolos
Genealogia da Moral
O Anticristo
Vontade de Potência

Noam Chomsky
O Lucro ou as Pessoas

Oscar Wilde
A Esfinge sem Segredo
O Fantasma de Canterville
O Retrato de Dorian Gray

Pascal
O Homem Perante a Natureza
Pensamentos

Platão
Apologia de Sócrates
Critão
Fedão
Filebo
Górgias
O Banquete
O Mito da Caverna
O Sofista
Parmênides
Teeteto

Popper
A Miséria do Historicismo

Robert Louis Stevenson
O Médico e o Monstro

Rodrigo Horst
A Física e o Universo

Rousseau
Discurso Sobre a Origem das Desigualdades
Discurso Sobre as Ciências e as Artes
Do Contrato Social

Russell
A Autoridade e o Indivíduo
Por que não sou Cristão

Sagan
Bilhões e Bilhões
Contato
O Cérebro de Broca
O Mundo Assombrado pelos Demônios

Salinger
O Apanhador no Campo de Centeio

Saramago
A Caverna
A Jangada de Pedra
Ensaio sobre a Cegueira
Ensaio sobre a Lucidez
Folhas Políticas
História do Cerco de Lisboa
Levantado do Chão
Memorial do Convento
O Ano da Morte de Ricardo Reis
O Evangelho Segundo Jesus Cristo
O Homem Duplicado
Todos os Nomes

Sartre
A Idade da Razão
Com a Morte na Alma
Entre Quatro Paredes
Erostrato
O Existencialismo é um Humanismo

Schopenhauer
O Mundo como Vontade e Representação III
O Mundo como Vontade e Representação IV

Shakespeare
Hamlet
Romeu e Julieta
Sonho de uma Noite de Verão

Simone de Beauvoir
A Cerimônia de Adeus
Mulher Desiludida

Sófocles
Édipo Rei

Spinoza
Tratado da Correção do Intelecto

Thomas Haris
Dragão Vermelho
Hannibal

Thomas Malthus
Ensaio sobre a População

Thomas Morus
Utopia

Voltaire
A Princesa de Babilônia
Alma
As Cartas de Amabed
Aventuras de Jenni
Breves Contos I
Breves Contos II
Breves Contos III
Cândido
Os Ouvidos do Conde de Chesterfield
Dicionário Filosófico
Micrômegas
O Mundo como está
O Homem dos Quarenta Escudos
O Ingênuo
O Touro Branco
Zadig

Vygotsky
Pensamento e Linguagem

William Sargant
Luta Pela Mente

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Free Access to the public from July 4th to August 4th, in celebration of Project Gutenberg's 35th Birthday check it here
plenty of books in Portuguese click here
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Vast collection of eBooks available from the Ministery of Culture in Brazil: check it here
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Biblioteca Virtual do estudante de Lingua Portuguesa
..

Foto Mario Luiz ThompsonClementina, cadê você?

Rainha dos Bambas.
Clementina de Jesus, a Rainha Quelé.
Força de mulher negra, trouxe sua música verdadeira. Raízes na voz, sem os pós, retirados para aparecer o brilho.
Clementina, representante genuína da Mãe África.
Clementina, que soube carregar a nobreza a ela conferida por seus ancestrais.
Clementina, que provou que na terra árida,nas pedras,também nascem flores.
Clementina, que não pediu licença aos empresários da música para mostrar sua voz.
Clementina, com o jeito todo seu, guerreira meiga, enfrentou os palcos, fazendo deles uma festa da abolição.
Clementina conheceu e mostrou, o be-aba da vida e a experiência do dia-a-dia,levando na voz o dia de amanhã de sua comunidade negra.
Clementina, profissão: pagodeira mulher negra.
Clementina, que não deixou os entraves da vida fazê-la desistir daquilo para que veio: cantar.
Clementina, seu olhar trazia brilho de estrela, que iluminava da África ao Brasil.
E nós,perguntamos a você: "Marinheira, marinheira, quem te ensinou a navegar? Foi o ronco do navio, foi o balanço do mar?".
Clementina, cada vez que a víamos, a força da sua energia dissipava nossas nuvens de tristeza e desistência.
Clementina, que nos passou a resistência.
Apesar dos nãos.
Clementina, não só rainha do samba, rainha dos bambas, que vivem na corda bamba.
Clementina, poeta mulher, num país que diz que o idoso não tem mais nada a dar. Com sessenta e três  anos anos, levou aos jovens, considerados donos da energia, a força do seu sonho, inteira, levantando multidões.
Clementina, que não foi consagrada pelas elites, pelas FMs, mas por um povo que grita, que sente na pele.
Clementina, que num palco nos chamava à luta e a sua única arma era a consciência do que somos, do que podemos.
Clementina, que trazia como aritmética da vida a soma e multiplicação de Dandaras, Luizas Mahin,Aqualtumes, Mães Aninha, e as anônimas quilombolas, do  campo,das favelas  e das cidades.
Clementina, esquecida na última parada por seus amigos das noites e dos dias.
Clementina, que tinha a beleza de um girassol, flor que não é dada como presente.Existe, embeleza, apenas.
Clementina, digo: Valeu! E quando a luta me parece muito dura cantarei sempre:
“Clementina,cadê você”?
Cadê você, cadê você?

Alzira Rufino
(poetisa, escritora, editora da Revista Eparrei e articulista com vários artigos publicados em jornais e revistas do Brasil e exterior).
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Poem written by José Ataíde during his stay in Los Angeles:

EM LOS ANGELES SOBRA JAPA
      (e  tá  faltando Americano)

Parece que tô no Japão
Ou na Coreia do Norte
Como brasileiro tenho sorte
Mesmo fora do torrão
Não posso dizer que não
Pra toda rapaziada
Embora não digo nada
Dizer isso e não me engano
EM LOS ANGELES SOBRA JAPA
E TÁ FALTANDO AMERICANO!

Um cara me perguntou
“Are you a Korean?”
Perguntou se eu tinha irmã!
O cara nada falou
Porque logo ele notou
Não tenho olho rasgado
Nem no sotaque falado
Porque continuei falando
EM LOS ANGELES SOBRA JAPA
E TA FALANDO AMERICANO!

Cadê o povo andando
Vejo casa não vejo gente
Só vindo aqui voce sente
Que o povo tá trabalhando
Ou em casa se esquentando
Se o frio é de lascar
Por isso quero voltar
O frio tá me empurrando
EM LOS ANGELES SOBRE JAPA
E TA FALTANDO AMERICANO

Uma meia-japa me falou:
“Quieres marriage with me?
Ay soy widow now…”
E depois se calou
Será que a danada pensou
Que eu tô querendo mulher?
E quando a Rosa souber
Que eu tô aqui namorando
O pau começa quebrando…
EM LOS ANGELES SOBRA JAPA
E TA FALTANDO AMERICANO!


José Ataide, Los Angeles, 12 de abril 2006, 9:20 A.M.

 

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              A Máquina do Mundo
                     Carlos Drummond de Andrade

E como eu palmilhasse vagamente
uma estrada de Minas, pedregosa,
e no fecho da tarde um sino rouco

se misturasse ao som de meus sapatos
que era pausado e seco; e aves pairassem
no céu de chumbo, e suas formas pretas

lentamente se fossem diluindo
na escuridão maior, vinda dos montes
e de meu próprio ser desenganado,

a máquina do mundo se entreabriu
para quem de a romper já se esquivava
e só de o ter pensado se carpia.

Abriu-se majestosa e circunspecta,
sem emitir um som que fosse impuro
nem um clarão maior que o tolerável

pelas pupilas gastas na inspeção
contínua e dolorosa do deserto,
e pela mente exausta de mentar

toda uma realidade que transcende
a própria imagem sua debuxada
no rosto do mistério, nos abismos.

Abriu-se em calma pura, e convidando
quantos sentidos e intuições restavam
a quem de os ter usado os já perdera

e nem desejaria recobrá-los,
se em vão e para sempre repetimos
os mesmos sem roteiro tristes périplos,

convidando-os a todos, em coorte,
a se aplicarem sobre o pasto inédito
da natureza mítica das coisas,

assim me disse, embora voz alguma
ou sopro ou eco ou simples percussão
atestasse que alguém, sobre a montanha,

a outro alguém, noturno e miserável,
em colóquio se estava dirigindo:
"O que procuraste em ti ou fora de

teu ser restrito e nunca se mostrou,
mesmo afetando dar-se ou se rendendo,
e a cada instante mais se retraindo,

olha, repara, ausculta: essa riqueza
sobrante a toda pérola, essa ciência
sublime e formidável, mas hermética,

essa total explicação da vida,
esse nexo primeiro e singular,
que nem concebes mais, pois tão esquivo

se revelou ante a pesquisa ardente
em que te consumiste... vê, contempla,
abre teu peito para agasalhá-lo.”

As mais soberbas pontes e edifícios,
o que nas oficinas se elabora,
o que pensado foi e logo atinge

distância superior ao pensamento,
os recursos da terra dominados,
e as paixões e os impulsos e os tormentos

e tudo que define o ser terrestre
ou se prolonga até nos animais
e chega às plantas para se embeber

no sono rancoroso dos minérios,
dá volta ao mundo e torna a se engolfar,
na estranha ordem geométrica de tudo,

e o absurdo original e seus enigmas,
suas verdades altas mais que todos
monumentos erguidos à verdade:

e a memória dos deuses, e o solene
sentimento de morte, que floresce
no caule da existência mais gloriosa,

tudo se apresentou nesse relance
e me chamou para seu reino augusto,
afinal submetido à vista humana.

Mas, como eu relutasse em responder
a tal apelo assim maravilhoso,
pois a fé se abrandara, e mesmo o anseio,

a esperança mais mínima — esse anelo
de ver desvanecida a treva espessa
que entre os raios do sol inda se filtra;

como defuntas crenças convocadas
presto e fremente não se produzissem
a de novo tingir a neutra face

que vou pelos caminhos demonstrando,
e como se outro ser, não mais aquele
habitante de mim há tantos anos,

passasse a comandar minha vontade
que, já de si volúvel, se cerrava
semelhante a essas flores reticentes

em si mesmas abertas e fechadas;
como se um dom tardio já não fora
apetecível, antes despiciendo,

baixei os olhos, incurioso, lasso,
desdenhando colher a coisa oferta
que se abria gratuita a meu engenho.

A treva mais estrita já pousara
sobre a estrada de Minas, pedregosa,
e a máquina do mundo, repelida,

se foi miudamente recompondo,
enquanto eu, avaliando o que perdera,
seguia vagaroso, de mãos pensas.


Este poema foi escolhido como o melhor poema brasileiro de todos os tempos por um grupo significativo de escritores e críticos, a pedido do caderno “
MAIS” (edição de 02-01-2000), publicado aos domingos pelo jornal “Folha de São Paulo”. Publicado originalmente no livro “Claro Enigma”, o texto acima foi extraído do livro “Nova Reunião”, José Olympio Editora – Rio de Janeiro, 1985, pág. 300.
Conheça o autor e sua obra visitando "
Biografias".

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Thesaurus da Língua Portuguesa do Brasil - página com uma variedade de sinónimos da língua portuguesa.

Stigma, saga for a New World (book) Ms Val Beauchamp, journalist and 5 Towns resident, tells the story of the travels of the Dutch/Portuguese sephardic Jews from Recife, Brazil to New Amsterdam, now New York, the first cosmopolitan center of the new World. Linking the distant past of the XVII century to the current XXI century, this romantic narrative shows the historical, political, economic and cultural connections that exist between the city of Recife and the city of New York. This connection is represented by the synagogue Zur Israel in the port section of Recife, and Congregation Shearith Israel in Manhattan, New York.
Read the literary analysis of the book
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No Brasil : (Recife, Edicoes Bagaco- (081-9152-9475) bagaco1@terra.com.br
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Cuidar dos corpos feridos e das almas traumatizadas de compatriotas e aliados, até de inimigos -
foi essa a enfermagem praticada pela brasileira ANA NÉRI durante a Guerra do Paraguai. -
Vitórias e derrotas, seis anos de rios de sangue, por fim a paz.
Antes de regressar a Cachoeira do Paraguaçu - sua terra natal - ANA vem até VIDAS LUSÓFONAS
A bicicleta que derruba.

Aprendi nos tempos de colégio que, para proteger os ossos "atlas e axis" no topo de nossa coluna cervical, ao ouvirmos um chamado de perigo ou de algo caindo, inconscientemente levantamos o ombro e encolhemos o pescoço.

Me disseram que o perigo é a separação desses ossos, seccionando os nervos da coluna cervical e que morreríamos se isso acontecesse. E esse movimento, e o fechar dos olhos ante outros avisos de perigo, estão gravados em nossa cuca como defesa.

Hoje, ao perceber que iria cair da bicicleta, fechei os olhos. Não era o caso de encolher o pescoço. Abri os olhos depois que me senti deitado, ou melhor, esparramado no calçadão de Copacabana - lembrei que havia pensado inúmeras vezes no passado no que aconteceria com a queda, de bicicleta ou de moto, de um homem com mais de 70 anos, pesando 100 quilos, e já sem força nos braços para aparar seu peso e amortecer o tombo.

Alí estava eu, desta vez não mais imaginando mas literalmente destituido de qualquer orgulho, verdadeiramente sem "face", deitado na rua, após um acidente e sendo acudido pelos transeuntes. Lembrei de antigas reportagens de O Dia - "o idoso se achava em decúbito dorsal na via pública") . Ao tentar deixar a ciclovia e passar para a calçada, a roda da bicicleta não venceu o desnível e fui ao chão

Primeiro me ajudaram a sentar desembaralhando minhas pernas dos ferros da bicicleta. O sangue de um corte junto ao olho, começando a pingar na camisa, deu um toque mais dramático à cena. "Fique deitado, cuidado, espere um pouco" e já, célere e caridosa, parte uma daquelas almas gentis a buscar um pouco de gelo no quiosque mais próximo.

Primeiro sentar. Depois tentar levantar direto do chão? Levantar sem ajuda é impossível após todas essas horas sentado, usando computador, lendo coisas e, como num chiclete visual, vendo fimes na TV, horas inteiras sem parar. Sentado, lendo e escrevendo firulas, em vez de fazer exercício, de caminhar, de andar pela beira do mar enrijecendo as pernas e o coração. Todo o mundo sabe que a preguiça e a indolência não são boas companheiras.

Primeiro é tentar me pôr de joelhos, em seguida, com um pé no chão, procurar um Santo Antônio (algo que se possa usar para se firmar e levantar) e, com essa ajuda, gemer enquanto finalmente me ponho de pé. Chega o gelo e aumenta o número de ajudantes. "Está sentindo dôr de cabeça? Está tonto? O gelo não deixa parar o sangue! Embrulhe o gelo com a camisa."

Todo um passado de conduta espartana indo pro brejo! Aquela compostura ante a adversidade, a dureza e a frieza com que me imaginava agindo ante o perigo e a dôr, tudo se desmanchando. A realidade é dura e chega sem cerimônia.

Quantas vezes imaginei como seria cair da bicicleta e beijar o asfalto. Que poderia quebrar? A mão ao amparar a queda? Bater firme com a cuca no meio-fio e ficar abobado? Ralar os cotovelos e os joelhos e ter que limpar a terra entranhada com aquele Merthiolate canalha e cruel que doia mais que a peste? Depois da carona de uma viatura da Polícia Militar até o pronto-socorro mais próximo e terminados os curativos e os raios-x, o balanço mostrou um galo na testa, um olho inchado e as costelas tentando se ajustar.

Bom, se ainda resta algum discernimento e juizo, que tal usar um capacete? Realmente faz sentido e protege. Mas escondendo o rosto e fazendo com que pareçamos um frango-da-Sadia com aquela cabeça de invasor vindo do espaço, o capacete nos despersonaliza.

Resultado: aposentar a bicicleta e começar a caminhar, fazer exercícios e cortar o queijo amarelo, o pão francês (ou agora é pão-liberty ?) e as empadas de camarão. Tudo bem. Começarei no mês que vem. O osso agora é dormir com as costelas doendo. Não dá nem para tossir.

Rio, 24/03/2003

J C Silva Costa
http://silvacosta.com
scosta@iis.com.br

Fabião das Queimadas ou Fabião "de Barcelona" - A história de um dos maiores poetas potiguares que viveu e está sepultado em Barcelona, RN, Brasil
Dicionário de Rimas - Nesta área está disponível para consulta uma amostra do Dicionário de Rimas da Língua Portuguesa, contendo pouco mais de 24.500 palavras de até 12 letras, ou seja, cerca de 10% do dicionário completo! http://intermega.globo.com/rimas/rimas_0.html

Jornal da Poesia - (Portuguese) site with vast information on more than 2000 poets and critics, like Castro Alves, Augusto dos Anjos, Camões, Fernando Pessoa, cantadores de cordel, Gonçalves Dias and more... (thanks to Carlos Vaz)

There are many many sites about poetry in Brazil... we are going to post some of them. Here is a pearl from Salvador, Bahia:
Femina (in English - in Portuguese)
There is a specialized bookstore on line with digital books in formats as PDF, e-books and Palm
It's called 00h00.com(pronounce Zero hour), and has about 50 books already published, from Brazilian authors, Portuguese and from Mocambique, between others Nobel Price José Saramago.
The site is located at www.00h00.com/portugues.
The same publisher has a catalog on books in French, with more than 550 books, at: www.00h00.com.
Mazé Torquato Chotil Coordenadora língua portuguesa
Éditions 00h00.com 24, rue Feydeau, 75002 Paris Tél: 01 42 36 63 50 Fax: 01 42 36 83 34
Free eBooks in Portuguese
Literatura brasileira e portuguesa, Literatura francesa, Literatura inglesa, Legislação brasileira, Filosofia e política, Documentos históricos, Outros - em português, Variados - em inglês, Poesia erótica, Projeto MA - novos autores, Breves Biografias, E-livros do vestibular
Other sources of free books: http://vbookstore.uol.com.br/gutenberg/
http://promo.net/pg/
History of The Portuguese language
http://www.linguaportuguesa.ufrn.br/english.html
Looking for how to pronounce correctly in Portuguese? This site aims to help anyone who is learning Portuguese as a foreign language. - Sonia-Portuguese
BRASIL QUE VEM AÍ...

Texto de Gilberto Freyre, escrito em 1926.

Eu ouço as vozes
eu vejo as cores
eu sinto os passos
de outro Brasil que vem aí
mais tropical
mais fraternal
mais brasileiro.
O mapa desse Brasil em vez das cores dos Estados
terá as cores das produções e dos trabalhos.
Os homens desse Brasil em vez das cores das três raças
terão as cores das profissões e regiões.
As mulheres do Brasil em vez das cores boreais
terão as cores variamente tropicais.
Todo brasileiro poderá dizer: é assim que eu quero o Brasil,
todo brasileiro e não apenas o bacharel ou o doutor
o preto, o pardo, o roxo e não apenas o branco e o semi branco.
Qualquer brasileiro poderá governar esse Brasil
lenhador
lavrador
pescador
vaqueiro
marinheiro
funileiro
carpinteiro
contanto que seja digno do governo do Brasil
que tenha olhos para ver pelo Brasil,
ouvidos para ouvir pelo Brasil
coragem de morrer pelo Brasil
ânimo de viver pelo Brasil
mãos para agir pelo Brasil
mãos de escultor que saibam lidar com o barro forte e novo dos Brasis
mãos de engenheiro que lidem com ingresias e
tratores europeus e norte-americanos a serviço do Brasil
mãos sem anéis (que os anéis não deixam o homem criar nem trabalhar).
mãos livres
mãos criadoras
mãos fraternais de todas as cores
mãos desiguais que trabalham por um Brasil sem Azeredos,
sem Irineus
sem Maurícios de Lacerda.
Sem mãos de jogadores
nem de especuladores nem de mistificadores.
Mãos todas de trabalhadores,
pretas, brancas, pardas, roxas, morenas,
de artistas
de escritores
de operários
de lavradores
de pastores
de mães criando filhos
de pais ensinando meninos
de padres benzendo afilhados
de mestres guiando aprendizes
de irmãos ajudando irmãos mais moços
de lavadeiras lavando
de pedreiros edificando
de doutores curando
de cozinheiras cozinhando
de vaqueiros tirando leite de vacas chamadas comadres dos homens.
Mãos brasileiras
brancas, morenas, pretas, pardas, roxas
tropicais
sindicais
fraternais.
Eu ouço as vozes
eu vejo as cores
eu sinto os passos
desse Brasil que vem aí.

Eu fico feliz de trocarmos a retórica tucana,por um pouco de sangue correndo nas veias! (thanks to Romeu)


 Lives from Portugal
Lives of the Portuguese-speaking world
or Vidas Lusófonas
http://www.vidaslusofonas.pt/introduction.htm
After having installed 43 biographies on our site, in the Portuguese language, Vidas Lusófonas (Lives of the Portuguese-speaking world) is now launching its English Version. To us, the Internet is not simply a ship on which we can navigate throughout the World. We also want the World to begin navigating on this particular sea whose waters touch the many shores where the Portuguese language is spoken.
Currently are the biographies of:
- Amílcar Cabral, Freedom fighter, 1924-1973
- Eça de Queiroz, Novelist: 1845-1900
- Machado de Assis Writer, 1839-1908
- Pedro Álvares Cabral, Navigator, 1476 (?) - 1520 (?)
- Vasco da Gama, Navigator and Warrior, 1468 (?) - 1524
- Adoniran Barbosa
http://www.vidaslusofonas.pt/introduction.htm
 
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