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Astronauta
sobrevoa Sapucaí para levar Grande Rio ao topo

A
Grande Rio veio para fechar o carnaval 2001 com uma surpresa prometida
pelo carnavalesco Joãosinho Trinta. A grande novidade foi um dublê
treinado pela Nasa para representar um astronauta e sobrevoar o
Sambódromo, deixando o público extasiado. O dedo de Joãosinho Trinta
- que estreou na agremiação este ano - pôde ser notado em cada detalhe
da Grande Rio: da distribuição de flores pelo grupo Tá na Rua aos
efeitos especiais nos carros alegóricos falando de paz e do novo
milênio.
Parece que o esforço de Joãosinho
e dos integrantes da escola surtiu efeito. A pesquisa do Ibope,
feita com o público da Sapucaí, deu a Grande Rio nota 9,5, a maior
nota da segunda noite de desfiles e que mostra que a imaginação
do carnavalesco continua reinando na avenida.
A escola de Caxias apresentou
o enredo "Gentileza X, o profeta do fogo", contando a
história do empresário José Datrino, mais conhecido como o Profeta
Gentileza.
A
modelo Monique Evans, que é evangélica, decidiu participar do desfile
da escola porque acredita deve transmitir uma mensagem de paz. Monique
caiu no samba com um vestido branco e uma guirlanda na cabeça, representando
a gentileza. Antes do desfile a modelo, que tornou-se evangélica
e afirmou que não desfilaria mais, declarou que o tema - a história
do profeta Gentileza - a sensibilizou.
O
ator Miguel Falabella desfilou no chão caracterizado de César. A
ex-jogadora Hortência e o ator André Segatti foram as estrelas do
carro "O circo de Roma pagã". A alegoria no qual Falabella
desfilaria, bateu uma vez num poste antes da entrada na avenida
e outras duas na mureta que separa a avenida das arquibancadas e
teve problemas durante o desfile.
Joãosinho
Trinta participou intensamente da evolução da escola, cantando,
dançando e acenando para o público. O carnavalesco emocionou-se
com o resultado final de seu primeiro desfile pela agremiação de
Caxias.

Americano voador
se encanta com o carnaval
Tiago Campante
O desfile da Grande Rio decolou nas
costas do americano Eric Scott. Munido de um jato movido a peróxido
de hidrogênio, ele espantou o público ao sobrevoar a Marquês de
Sapucaí, abrindo a apresentação da escola: era o segredo guardado
a sete chaves pelo carnavalesco Joãosinho Trinta.
Dublê há oito anos, Eric já fez esse
tipo de vôo inumeras vezes, mas nunca tinha ido ao Sambódromo, nem
mesmo para ensaiar sua participação. Apesar disso, o vôo deu mais
do que certo. Levantou o público e deixou o americano, que vinha
pela primeira vez ao Brasil, igualmente extasiado.
- Foi a melhor coisa que já fiz na
vida - resumiu o texano de 38 anos. Mas a contribuição de Eric encerrou-se
na apresentação de abertura. Afinal, ele mesmo admitiu que, no carnaval,
é melhor no ar do que na terra.
- Não sei sambar, mas estou
me divertindo. As mulheres daqui são maravilhosas - rasgou-se.

Joãosinho se emociona
no primeiro
desfile pela Grande Rio
Viviane Rosalem
A
inspiração veio durante uma olímpíada que assistiu há algum tempo.
Mas a idéia acabou sendo deixada para o primeiro carnaval do milênio.
Depois de muitas idas e vindas a Dallas, nos Estados Unidos, no
ano passado, o carnavalesco Joãosinho Trinta bateu o martelo. Queria
inovar na Passarela do Samba com algo que realmente impressionasse
o público, e conseguiu. Foi o primeiro carnavalesco a fazer o homem
voar na avenida, mostrando o poder da tecnologia nos dias de hoje,
e a usar a profecia de Gentileza para chamar a atenção dos brasileiros.
"Deu certo. Pude mostrar nesta grande
festa que é o carnaval que o homem não deve se preocupar apenas
em buscar o moderno. Deve valorizar a espiritualidade, a paz e a
fraternidade", explicou o carnavalesco.
Durante todo o desfile, Joãosinho acenou para
a platéia, cantando sem parar o samba-enredo da escola de Duque
de Caxias, "Gentileza X, o profeta do fogo".
"O desfile foi maravilhoso", afirmou,
caindo no choro, "a criatividade me força a estar com a modernidade
mas também penso no homem da terra, nos necessitados, nas crianças",
afirmou o carnavalesco, emocionado.

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